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| Batman: The dark knight rises, 2012 |
"Mas ele não disse isso!"
"Essa legenda está errada, está faltando um monte de
coisas!"
"Ele falou isso com outras palavras."
Quantas vezes você não pensou isso vendo um filme legendado?
Muitas vezes quando eu via filmes em italiano com legendas
em português me retorcia no sofá, me irritava com aquelas legendas
"erradas", "mal feitas", "comendo pedaços",
"com traduções equivocadas". No começo via legendado porque eu não
tinha domínio suficiente da língua e poderia perder algum diálogo importante,
depois era só para ver se o tradutor fez um bom trabalho.
Além de literatura, sempre amei cinema.
Ainda mais quando eram adaptações de livros que eu gostava (outra coisa que me
irritava profundamente, roteiros. Mas isso vai render outro post!). Quando iniciei meu
curso na Universidade, em Letras, logo me apaixonei por tradução, sempre fui
convicta que deveria seguir o caminho do bacharelado ao invés de licenciatura,
pois me proporcionaria mais disciplinas em Estudos da Tradução. Eis que a minha
crítica com as legendas iniciaram!
Até o dia que eu tive a grande oportunidade de fazer um
curso de Legendagem. Enfim eu ia juntar duas coisas que sempre gostei:
tradução e filmes.
Mordi minha língua.
É gente, não sei o que foi mais difícil,
traduzir para legendagem ou fazer as legendas. "Mas que besteira, é fácil, só traduzir o que ele falou e
colocar lá no programinha para aparecer a legenda na hora que ele falar". É, o
caminho é mais ou menos esse. Mas tem umas pedras no meio do caminho.
Gostaria de compartilhar algumas experiências que tive com
as traduções para legendagem, algumas coisas que aprendi. Vou dividir em duas partes, porque colocar tudo em um post ficaria muito longo. Claro que não vou dar aulas sobre isso (até porque não tenho tannnto
conhecimento para tal), só algumas noções de como funciona a legendagem na
visão de um tradutor. Quem sabe, se você é um daqueles críticos como eu fui um dia, não tenha um pouco mais de compaixão pelos tradutores. Hehehe. Não que eu deixei de ser chata, mas agora eu tenho noção de como o trabalho é suado.
Bem, antes de tudo é preciso entender que existem normas
técnicas de legendagem. Existem as normas européia e a brasileira, a diferença
é mínima e hoje em dia muitas empresas de legendagem adotam as normas
européia. Quando fala-se em legendas pode-se pensar em várias definições para
esse termo, como por exemplo: legendas podem ser pequenos textos descritivos
abaixo de imagens ou ilustrações, podem ser dizeres ou letreiros, entre outras
definições. No nosso caso a definição que se encaixa perfeitamente, segundo o
dicionário, é a de que legendas são “textos apostos à
parte inferior de um filme de cinema ou de TV, com a tradução das falas dos
personagens”.
A legendagem começou no início de 1900, com os filmes mudos,
eram conhecidas como intertitles. A diferença dos posteriores subtitles é
justamente o que o nome já define, elas eram expostas entre às imagens e não
sobre a imagem, como conhecemos atualmente. Ainda hoje com o avanço dos
estudos, a legendagem é adaptada para deficientes auditivos, sendo
acrescentadas caracteres e marcações especificas sinalizando, por exemplo, um
telefone tocando ou uma trilha sonora mais intensa ou tranquila, também surgiu
a áudio-descrição como auxilio para deficientes visuais. Com o passar do tempo
a evolução da legendagem não trouxe apenas a facilidade da criação delas, com
programas gratuitos (como o Subtitle Edit, o que eu uso muito, e o Subtitle
Workshop), muito utilizados pelas fanfics e a ampliação do mercado de
exportação, mas também, junto ao cinema sonoro veio a possibilidade da dublagem
e as legendas em vários idiomas, entretanto trouxe vários problemas
linguísticos e culturais, tema de muitos estudos relacionados a área da
tradução.
Tais problemas linguísticos e culturais muitas vezes
aparecem por conta das normas técnicas da legendagem. Resumidamente, além da sincronização da legenda com a fala do personagem, as
normas restringem o tempo e o espaço das legendas, no Brasil a legenda pode
aparecer na tela entre 1 e 4 segundos, com no máximo 64 caracteres, 32
caracteres por linha, no máximo duas linhas. Alguns casos são aceitáveis
utilizar as normas europeias, onde a legenda pode aparecer na tela entre 1 e 6
segundos, com no máximo 72 caracteres, 36 caracteres por linha, no máximo duas
linhas. Isso depende dos requisitos da empresa responsável pela tradução das
legendas.
Além de respeitar as normas, a tradução deve ter,
claramente, o mínimo de legibilidade possível. Entendo como legibilidade a
explicação das professoras Lúcia Fulgêncio e Yara Liberato, onde a legibilidade
é “uma interação entre o leitor e o texto ou, mais especificamente, entre o
conhecimento prévio do leitor e a informação que ele capta do texto”. Levando
em consideração essa afirmativa os pontos levantados em relação ao texto
traduzido na legendagem englobam questões de que existe uma facilidade maior na
compreensão do texto, visto que o som e a imagem estão sempre caminhando lado a
lado com a legenda; como a língua falada influencia na tradução e até que ponto
a legibilidade é afetada pelas normas técnicas da legendagem.
No próximo post vou colocar exemplos de algumas legendas que traduzi e assim explicar um pouco mais sobre esse ponto da legibilidade textual na tradução de legendas. Até lá!

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